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terça-feira, 19 de julho de 2011

CICLOTURISMO RUMO ÀS CUESTAS

O que é Cuesta?
 
Planalto ligeiramente inclinado, constituído por apenas duas superfícies: uma encosta abrupta e outra mais suave.




Aqui na região, começamos a ter visual das cuestas a partir de Ipeúna ou São Pedro. E elas estendem-se na direção de Brotas, Botucatu...

O caminho já havia sido trilhado antes, mas estamos sempre procurando novas passagens.

Convidei o Ricardo e o Paulinho, pedaleiros apaixonados. E, desta vez, tivemos a companhia da Luciana, namorada do Paulinho e da Denise, que viria de São Paulo para trilhar os caminhos caipiras.

Ricardo é aquele tipo de cicloturista que não tem pressa, que gosta de camping selvagem, que gosta de pescar no caminho sempre que pode, e que possui bom humor e alto astral.





Paulinho é cicloturista experimentado, já veio do Pará até Americana pedalando, viagem que lhe trouxe muito conhecimento e segurança. Além disso é muito habilidoso e possui um bom senso de navegação.



Luciana, natural do Estado do Mato Grosso, dizia pedalar muito por lá e isso fez o Paulinho se apaixonar por ela. Com o seu incentivo, ela estava realizando sua primeira cicloviagem.

Denise, ciclista urbana experiente, cicloativista cheia de energia, trabalha como bike-repórter e bike-courrier em São Paulo. Ela, entretanto, não havia feito nenhuma cicloviagem de mais de um dia, apesar de estar sempre dentro de atividades ciclísticas.



Seriam três dias de pedalada e eu havia organizado um roteiro que iniciaria em Americana, percorrendo as cidades de Santa Bárbara D'Oeste, Iracemápolis, o distrito de Tanquinho em Piracicaba, atravessaríamos o Rio Corumbataí, o Rio Passa-Cinco até chegarmos no local do pernoite, num pedal de mais ou menos 70km no primeiro dia.

No dia seguinte seguiríamos em direção à Ipeúna, procuraríamos a estrada para a localidade de Itaqueri da Serra, onde dormiríamos, num pedal de aproximadamente 50km.

No terceiro dia seguiríamos em direção à cidade de São Pedro, onde pegaríamos o ônibus de volta para Americana, num pedal de menos de 30km.

Tudo combinado, fui buscar a Denise na rodoviária de Americana. Um frio! E lá fiquei eu das 20:40 horas até 23:00 horas esperando. E nada da Denise. E olha que a rodoviária não é grande!

Voltei pra casa preocupada e pensei que ela tivesse desistido.

Acordei na madrugada, quatro e meia da manhã, um frio de rachar e comecei a me preparar. Toca o telefone e é a Denise, dizendo que ficou me esperando na rodoviária e resolveu dormir num hotel ali perto. Que bom que ela veio, pensei.

Nos encontramos e subimos para a casa do Paulinho. Da minha casa até a casa dele é só subida, o que deu pra suar, só que chegamos lá e eles não estavam prontos ainda. Aí o corpo esfriou o suor e o frio aumentou.

Cadê o Ricardo? Bom, vamos passar na casa dele...

A essa hora, a neblina estava intensa.

Esperamos cerca de meia hora até o Ricardo ficar pronto. O sereno da manhã molhava nossas roupas.

Tudo pronto, tudo certo, lá fomos nós por um caminho muito bonito, com subidas e descidas, o que nos aqueceu. 




Poucos quilômetros havíamos pedalado quando o Ricardo e o Paulinho resolveram fazer uma primeira parada, sobre a ponte do Rio Piracicaba. Nesta parada nós esfriamos o corpo novamente e nada do sol surgir por entre o nevoeiro.






Tudo certo, tudo em cima, lá vamos nós, subindo em direção à cidade de Iracemápolis. Nossa intenção era fugir do asfalto pois a estrada não tem acostamento. Encontramos um restaurante na beira da rodovia e paramos para um café quente.

Apesar de sairmos de casa às cinco da manhã, chegamos neste local às oito e cinquenta!



Eu e a Denise, que estávamos na frente, subimos no nosso ritmo e, quando olhamos para trás, cadê os outros? Vamos esperar. E na espera, novamente o suor esfria no corpo. Cadê o sol?

Encontramos uma entrada por entre a plantação de cana e lá fomos nós, deixando o Paulinho nos guiar pelo seu GPS interno. 

Terra vermelha, muita poeira, as bikes sujas pois tinham sido molhadas pela neblina...



Usinas desativadas e suas chaminés perdidas no mar de cana...






Poucos quilômetros percorridos e resolve-se mais uma parada.




Mas o caminho estava certo, estava bom. 

Então encontramos a rodovia Limeira-Piracicaba. Atravessamos e atingimos uma outra plantação de cana. Seguimos por ali, subindo e descendo.




Por volta das 11 da manhã, o Paulinho queria parar o pedal, dizendo que o sol estava forte, que a radiação estava forte. Foi quando eu notei que ele estava com esta sensibilidade porque não tinha boné ou chapéu, ou capacete, ou óculos de sol. Nem ele, nem a Luciana...

Proteger a pele com filtro solar, usar óculos de sol  e capacete / boné numa cicloviagem é indispensável, bem como o uso de roupas claras. 


Atravessamos a rodovia Rio Claro - Piracicaba, passamos pelo bairro Vila Nova, onde o único bar estava fechado, provavelmente por causa do feriado. Ficamos um tempinho nos bancos em frente à Igreja do lugar.



Nossa próxima parada foi num pequeno vilarejo, ao meio dia e meio, com quase 44 km de pedal.

Pés descalços, rede armada, boa conversa e alguma comida.




Seguimos em frente, com água fresca e alguma sombra.






Os canaviais são intermináveis!

Em plena colheita, muitos caminhões, treminhões, tratores, poeira e um horizonte a perder de vista.

Eu e a Denise, pedalando por aqueles estradas largas, longas, quando demos conta, cadê o pessoal?

Nenhuma sombra. Aliás, a sombra de um treminhão com o pneu furado. Dois funcionários da usina nos saúdam e nos oferecem água fresca. 




Ficamos esperando os outros três chegarem, mas ninguém no horizonte. O que será que aconteceu? Só nos resta esperar. E esperamos!

E eis que surgem os ciclistas, numa boa...




Quando vi a placa da Serra da Pitanga, me localizei, e estimei que faltavam ainda uns bons 10km para chegar no local do pernoite.

A descida da serra foi rápida e a paisagem não estava tão exuberante quanto a encontrada no verão. 

Paramos na ponte sobre o Rio Corumbataí para esperar o Paulinho e a Luciana e a nossa sombra já estava longa.






Subida tranquila, bairro Sitinho, ponte sobre o Rio Passa-Cinco e, por volta das cinco e meia da tarde chegamos no pesqueiro onde iríamos acampar.






Família simpática nos acolheu e pudemos tomar banho e usar a cozinha para preparar nossa refeição.

Fechamos este primeiro dia com 72,15km num tempo de 6 horas.

Meu material de camping no cicloturismo:
- Barraca pequena e leve 
- Saco de dormir
- Travesseiro inflável
- Edredon pequeno (para maior conforto)
- Isolante térmico de 6mm
- Lanterna

Já dormi muito mal depois de um dia inteiro de pedal e não tem nada pior. 
O travesseiro inflável, que não ocupa espaço no alforge, e o isolante térmico, resolveram todos os meus problemas.
Hoje em dia sinto muito mais conforto na barraca e, se tiver que passar vários dias acampada não me preocupo.

Fez frio à noite, ainda mais que estávamos ao lado do rio, mas eu fiquei muito confortável. Já o pessoal reclamou da noite mal-dormida.

Com certeza, a sensação de frio que eles sentiram foi por causa da falta do isolante térmico, pois o frio vêm do chão.

Outra coisa que nos acordou durante a noite foi o galo cantando desde a madrugada! rsrsrs...

O dia amanheceu azul, sem neblina, com menos frio do que ontem.

A Dona Sonia nos preparou um café animador para a pedalada que viria a seguir.

Descemos até a prainha do Rio Passa-Cinco...




Por volta das 09:30 horas saímos em direção à pequena serra de Ipeúna.






Depois da subida da serra o terreno fica plano. Eu e a Denise aproveitamos para nos conhecer melhor pessoalmente, pois nossa amizade era apenas virtual. 
E, conversando, pedalamos em direção à cidade de Ipeúna. Mas a Luciana, o Paulinho e o Ricardo não estavam por perto. 

Paramos, nós duas, na sombra de uma árvore para esperar por eles. 




Esperamos um tempão e resolvemos, então, seguir até a cidade e esperá-los por lá.

Quase na entrada da cidade o Ricardo nos alcança. 




Praticamente onze da manhã, melhor almoçar para seguir em frente.

Ao lado da praça central encontramos um bom restaurante. Energias refeitas, 11km de pedal apenas, combinamos de fazer um pequeno descanso.







O descanso do almoço estendeu-se até as 14:30 horas!
Não entendi o por quê de uma parada tão longa, mas por outro lado não queria ficar resmungando como uma chata, afinal era feriado.
A questão é que quando estamos sobre duas rodas, temos que considerar imprevistos e atrasos no percurso, sem contar que a Luciana não estava acostumada a pedalar longas distâncias. 
Minha experiência no cicloturismo diz que é sempre melhor chegar cedo do que tarde no destino.

Como disse no início, o planejamento incluía o caminho para Itaqueri da Serra e, se todos estivessem mais determinados a pedalar mais e descansar menos, tudo ocorreria com a luz do dia.

Acontece que fui pedir informação para um morador e ele confundiu um pouco minha cabeça e, quando chegamos na bifurcação do caminho, já não tinha certeza se aquele era o certo.

O impasse fez com que continuássemos a estrada rumo à cidade de Itirapina.

Estrada em subida, poeirenta e movimentada, sem placas indicativas...






Outra bifurcação, outra dúvida, resolvemos por um dos caminhos. 
Num certo ponto, uma descida longa, eu, na dúvida, paro um carro para pedir informação e o Ricardo passa a toda, descendo. Acontece que o caminho estava errado. Este erro, com a espera para o Ricardo subir tudo de volta, nos custou cerca de uma hora parados.

O relógio marcava 16:30 horas e nós bem longe de Itirapina.

Comecei a ficar preocupada pois sabia das dificuldades da estrada: muita subida e muita, muita areia. E eu sem farol na bike, tinha apenas uma lanterna de mão e a Denise nem isso.

Preocupação também com a demora do Paulinho e da Luciana em nos alcançar. Não é legal deixar os amigos para traz, o legal é ficar todo mundo no visual, mas a demora estava demais!


Três vezes a gente passa por baixo da linha do trem...


Quando o sol começou a se por, havia ainda muitos quilômetros pela frente...




Escuridão quase total, paramos eu, Denise e Ricardo para esperar pelos dois, mas por mais devagar que a gente pedalasse, eles não chegavam.

O Ricardo conseguiu prender sua lanterna no guidão da bicicleta e eu achei melhor ir com o meu na mão mesmo, assim dividiria a luz com a Denise.

Impossível pedalar na areia com escuridão! Sem condições mesmo. O Ricardo sumiu na nossa frente.

Assim, eu e a De, empurramos a bike por mais de oito quilômetros. Em compensação, o céu estava maravilhoso, salpicado de estrelas.
Foi muito pesado este trecho. Não recomendo.

Quando chegamos no asfalto da cidade, o Ricardo já nos aguardava. Combinamos de ir para o camping, enquanto ele esperava os dois.

Chegamos no camping  http://www.paraisoaguas.com.br  às nove da noite com muito frio, muita fome e muito cansaço.




Encerramos este dia com 51,50km num tempo de 6 horas.
Eu diria que estes 50km equivaleram a 100km tamanha a dificuldade no areião!

Este camping  "paraíso das águas", em Itirapina. além de camping tem chalés e pousada. É  espaçoso e arborizado, com gramados e várias piscinas.


O camping custa R$ 20,00 sem café da manhã e R$ 25,00 com café. 
O chalé sai por R$ 35,00 com café e R$ 30,00 sem café. 
Eu achei caro, comparado com outros lugares muito mais bonitos em que estive.
Na situação em que chegamos, no entanto, nem discutimos preço com o velho senhor da portaria, pedimos logo um quarto.
Apesar de ser um sábado de um final de semana prolongado, neste horário havia apenas o porteiro na guarita, que nos atendeu de forma confusa, mostrando falta de preparo. Valeria a pena treinamento e reciclagem para os funcionários.

O banho quente e relaxante foi excelente!





E tem mais, neste camping, numa pequena ilha - pequena mesmo - mora um macaco solitário. Aquilo cortou nosso coração!




No dia seguinte, pensei que iríamos pedalar mais, pelo menos até a Represa do Broa, mas o pessoal não topou.

Mesmo assim, pegamos as bikes e fomos dar um giro pelo horto florestal: lugar muito bonito, com um single-track gostoso.








Depois do giro pelo horto, passamos na rodoviária para comprar as passagens e fomos almoçar. 


Antes, um brinde.




Total de quilômetros: 146,00


Nesta cicloviagem descobri que é o inesperado que faz de uma viagem uma aventura.


Nesta cicloviagem aprendi algumas coisas:


Fazer um planejamento sério é muito importante;
Saber da capacidade física de cada participante é muito importante;
Ter liderança e determinação quanto ao roteiro é muito importante;
Manter um bom ritmo de pedal é muito importante;
Saber relaxar para aproveitar a paisagem e a companhia é muito importante.
E o mais importante...  TUDO VALE A PENA SE A ALMA NÃO É PEQUENA!




*Cicloturismo realizado entre os dias 23 e 25 de junho de 2011.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

APARECIDA - CUNHA - PARATY - TRINDADE - UBATUBA

PEDIVELA é o nome dado à peça que impulsiona a bicicleta, ou seja, acionando o pedivela você terá liberdade para ir onde quizer com ela.

E o pedivela girou muito nesta páscoa!

Tudo começou na rodoviária de Americana às 02:30 da madrugada, na espera do onibus que nos levaria à cidade de Aparecida, no vale do Paraíba.

A noite estava morna e iluminada pela lua cheia.

Como sempre ocorre com o cicloturista no Brasil, estávamos ansiosos antes do embarque da bike pois existe sempre a possibilidade do motorista não permiti-la montada no bagageiro. 
Com a empresa Itapemirim sempre acontece. Os motoristas são chatos e sempre tentam impedir o embarque, alegando vários fatores. Desta vez não foi diferente. Só que, na falta de argumentos eficientes, não teve jeito e lá fomos nós.

A viagem foi tranquila e, na chegada, o motorista tratou de dar mais uma bronca, avisando que "da próxima vez..."

Tomamos nosso café da manhã numa padaria pertinho do Santuário, fizemos nossas fotos e até demos uma chance pro lambe-lambe da praça da Igreja Velha nos retratar também.


















De Aparecida para Guaratinguetá é apenas uma avenida e, logo, logo alcançamos a Rodovia Paulo Virginio, que nos levaria à cidade de Cunha.




Guaratinguetá está a 530 metros acima do nível do mar e Cunha a 1.000 metros. Este aclive acontece em 47 quilometros. A impressão é que só tem subida de uma cidade para outra.





Os moradores da região chamam esta subida de "Serra de Guará".  A subida, posso afirmar, é exigente e, apesar do clima montanhês, o dia estava quente. O monóxido de carbono liberado pelos automóveis e o peso das bikes contribuiu para que fizéssemos algumas paradas nas sombras.

Eu subi no meu ritmo, mas a velocidade média não passou dos 10km/h. Como geralmente estava na frente do Ricardo e da Maria Inez, estreante, por sinal, num ciclotur de longa distância, acho que fui eu quem mais descansou nas subidas.


















Eu vinha de uma semana super cansativa e atarefada, sem dormir direito há pelo menos 3 dias.

Havíamos pedalado cerca de 30km quando a Maria Inêz resolveu pedir carona para um pequeno caminhão que passava. O pico da subida lá longe. O sol forte e o cansaço de dias fez com que eu topasse, sem medo de perder a "carteirinha" (rsrsrsrs...).

Chegamos em Cunha as 14:30 horas. Começamos a procurar uma pousada, mas a maior necessidade era de algo gelado para beber. 
Paramos numa esquina para pensar qual direção tomar, uma vez que Cunha está situada num mar de morros.

Logo vimos uma mercearia e para lá nos dirigimos.

Neusa, de Cunha, Maria Inez e Ricardo


Fomos atendidos por uma simpática mulher que nos atendeu com alegria e nos ofereceu pinhões assados, uma coca-cola geladinha e ainda um quarto com jantar incluso!
Ela nos levou até o quarto, trinta degraus acima.

Não era bem uma pousada. A Neusa, dona do local, nos conta que ela abriga geralmente cavaleiros em rota peregrina, pois ela própria atua como cavaleira, e dá pouso e refeição quando acontece a procissão de São Benedito na cidade. Ela é uma pessoa especial, generosa e de alma boa. Sabe o que ela fez na praça em frente à sua casa? Montou uma banca de roupas: as pessoas pegam o que lhes serve e trazem outras com a mesma finalidade. Achei muito interessante essa idéia.

Além de nos acolher com simpatia e generosidade, levou-nos para um passeio turistico pela cidade. A arquitetura, os casarões preservados; o fato de Cunha ter sido palco de uma das batalhas da Revolução Constitucionalista; rota dos tropeiros que escoavam o ouro das Minas Gerais no tempo do Brasil colônia.


















De volta à casa da Neusa, cansados, resolvemos descansar sob a lua cheia, "luarizando a alma". Foi muito gostoso e revigorante.

Dormimos muito bem, o que seria essencial para o pedal do dia seguinte, pela linda estrada que corta a Serra da Bocaina.


Nosso destino no segundo dia é Paraty.

Saímos às 8 horas da pousada e, de cara, a saída da cidade é um subidão enorme.  Mas vamos lá!

Olhando a subida vencida
































Esta estrada é especialmente bonita, colorida pelos manacás e quaresmeiras nesta época do ano e com muitas, muitas subidas. Eu subi todas, mesmo com a bike pesada, menos um morro com inclinação muito forte.




















Apesar disso, encontramos pelos menos duas descidas longas, lindas e alucinantes.



Nesta estrada existe um monumento em homenagem ao lavrador Paulo Virginio, que foi morto na revolução constitucionalista. Este monumento fica no alto da serra e nós paramos alí para um lanche. Eram 10:15 da manhã.



















Nosso plano era subir a Pedra da Macela, 1.840 metros de altitude, antes de seguir para Paraty, mas obras na estrada nos confundiram e, quando percebemos, a entrada para a pedra tinha ficado lá atrás. Que pena!

Os marcos da ER estão presentes por todo o caminho, muitos deles depredados pela ignorância humana. 



Um destes marcos ocupa um lindo lugar, em frente à cachoeira do Mato Limpo, na beira da rodovia. Parada obrigatória para descanso e fotos.



Depois da cachoeira a subida continua, longa, terminando apenas a 1.500 metros de altitude, na divisa dos estados de SP e RJ.



















A partir daí já estamos dentro do Parque Nacional da Serra da Bocaina.


Deste ponto em diante teremos 20 quilometros de descida, até o nível do mar, em Paraty.


A estrada é de terra e carros normais descem com muita, muita dificuldade. Seria melhor se os motoristas fizessem outra opção de rota porque tem veículos que quebram por não suportarem os trancos e barrancos da estradinha.


Mas, para nós, ciclistas, embora a dificuldade, temos o privilégio de observar a inspiradora beleza da Mata Atlântica sem estresse.


















Pelo menos num trecho de 10 quilometros a descida é casca-grossa e foi necessário frear a bike no último. Mesmo assim, tive que descer dela algumas vezes por causa do peso na traseira.
Não foi fácil. A descida, muito técnica e perigosa exigiu tudo do XT.
A estrada está muito pior do que há três anos atrás, quando passei por alí.


















Encontramos um carro penando para sair da buraqueira e seu dono muito nervoso.



Quando termina o trecho de terra, a descida continua no asfalto, linda, com muitas curvas.



















Na altitude de 855 metros encontramos o ponto de apoio do Parque Nacional, uma mistura de barzinho e ponto de apoio ao turista.


Na beira da estrada também encontramos uma cerâmica, tipico na serra.


















Quando chegamos no final da descida, logo encontramos a Casa do Caminho, ou algo assim, em frente à Igreja da Penha.




















Eram quase 17 horas e estávamos com muita fome. Resolvemos parar numa casa, que era também um restaurante, para almoçar.


Depois, foi só pegar a ciclovia e estávamos em Paraty. 
Eram 18 horas quando chegamos no Centro de Apoio ao Turista. Uma funcionária nos auxiliou na busca de uma pousada.
Jah mais uma vez iluminando nossos caminhos: véspera de feriado e encontramos uma pousada bacana e bem barata. Pousada Lua Clara, com piscina e tudo.



Noite bem dormida.

O tradicional e esperado passeio pelos famosos pé de moleque de Paraty, suas igrejas e fachadas, sua singularidade. 



















Procuramos o último marco da ER e o encontramos meio escondido, na praça que fica bem na entrada do Centro Histórico.


Após o descanso do almoço, saímos pela Rio-Santos em direção à Vila de Trindade.



O movimento de veículos já era grande e o acostamento, péssimo. 
Nem demorou tanto para chegarmos no antigo moinho do quilombo, uma queda d'água super convidativa!


Paramos para nos refrescar, claro.

Em pouco tempo alcançamos a Vila do Patrimônio, onde tomamos um isotônico.

Eram 15 horas quando iniciamos a subida de 5 quilometros, pela APA Cairuçu, que dá acesso à Vila de Trindade.
Que subida! 



















Demoramos 1 hora entre subir os quatro quilometros e descer outros cinco.


E é desta estradinha perigosa e linda  que temos o primeiro visual deste lugar maravilhoso.


Um pouco antes de chegar na vila, encontramos o camping Oficina do Som, o melhor e mais organizado da Trindade, em frente à Praia de Fora. Fomos os primeiros a chegar, escolhemos o local, montamos acampamento e corremos pra areia ver o por do sol.


Visual do camping
















Emoção e alegria por estar novamente neste lugar feito no capricho por Deus!



Eu estava um pouco apreensiva com as noticias da Trindade. Amigos me contaram de crimes ambientais que estavam acontecendo por alí, e de um condominio que fecharia a Praia do Meio num futuro próximo.

Mas o que encontrei foi muito diferente. Para evitar o interesse imobiliário, o governo federal resolveu expandir o Parque Nacional da Bocaina para a área litoranea da Trindade a partir de 2008. 
Assim, o ICM/bio (Instituto Chico Mendes/biomas) cuida da conservação do ecossistema e atua na orientação aos turistas. 

Acreditas que quando a vila foi descoberta pelos turistas, na década de 1970, apareceu uma companhia imobiliária multinacional com a escritura da toda a Trindade? 
O pessoal do Instituto Chico Mendes estava distribuindo um folder contando essa história. 

Este papel rendeu um grande conflito entre os moradores nativos e os poderosos, que só terminou em 1982 após um acordo entre as duas partes.
É incrivel o estrago que o poderio econômico pode fazer. 
Graças a Deus o Governo Federal tomou uma atitude nobre e a Trindade será de todos e não apenas de alguns.

Cabeça do Indio, na Ponta da Trindade


A Vila lotou no feriado e a quantidade de carros me assustou. A descida de automóveis deveria ter um controle lá em cima. 

Ficamos na Trindade dois dias, curtindo aquelas praias lindas, a piscina natural, as cachoeiras, a própria vila. 
Trilha para a praia do Cachadaço

Piscina do Cachadaço

Eu e Maria Inez na pedra da Praia do Meio


Trilha para a cachoeira
Cachoeira
Praia do Cepilho
























































































Era ainda madrugada de sábado, quatro horas da manhã, e lá fomos nós subir a subida do Deus-Me-Livre. Demoramos mais de uma hora para vencer os quatro quilometros. É punk!



Quando chegamos na Rio-Santos o sol estava começando a tingir o céu de vermelho.

Pedalamos com tranquilidade e sombra a maior parte do caminho até Ubatuba.


















O feriadão estava bombando com dias quentes e céu azul e a quantidade de carros começou a aumentar por volta da dez horas. Observei um congestionamento grande. Um horror!

E mais uma vez, Jah na nossa frente fez com que chegássemos na rodoviária junto com o ônibus. 
O embarque das bikes pela Litorânea foi tranquilo, sem perguntas, só sorrisos do motorista. Esse é o espírito!
Por todo o caminho, desde o café da manhã na padaria em Aparecida só encontramos pessoas da paz, da camaradagem, da confiança.

A boa companhia de pedal, o espírito de equipe que envolveu a nós três foi muito limportante, deixando o percurso muito mais legal.

E o pedivela breve voltará a girar pelas estradas do Brasil.

VÁ DE BIKE!

Até a próxima!