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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

TRAVESSIA AMERICANA - SERRA NEGRA

Preciso começar esta postagem dizendo que foi uma pedalada muito fácil !
Se eu soubesse que era tão fácil, já a teria realizado há muito tempo!

A Denise veio de São Paulo para pedalar conosco mais uma vez, ela que faz a diferença, pois é forte e equilibrada.

O Paulinho foi quem teve a ideia, e a apresentação do caminho foi dele. A Luciana nos acompanhou novamente, mesmo com a bike ruim. E foi guerreira!


Paulinho e Luciana unidos para um bom pedal

Foi tão tranquilo que pudemos sair de Americana sem pressa. 
O tempo estava bom, depois de dois dias de chuva e frio.


Com rapidez chegamos na Usina Ester e alcançamos o estradão de terra batido que encontra a rodovia Cosmópolis-Paulínia (passamos por baixo dela) e continuamos, com algumas subidas e muita sombra.


A cana estava sendo colhida pelos "dragões comedores de cana", como eu chamo aquelas enormes colheitadeiras.


Cana, cana e mais cana, até que chegamos na Fazenda Batistela.


Na encruzilhada, vê-se, no alto, um Cristo Redentor.


Resolvemos seguir à esquerda nesta encruzilhada para chegar à cidade de Holambra, mas encontramos a rodovia e tivemos que seguir uns quatro quilômetros pelo asfalto, coisa que gostaríamos de evitar.
Se tivéssemos entrado à direita, sairíamos dentro da cidade e seria mais tranquilo.

Holambra é uma pequena, bonita e bem cuidada cidade, fundada por imigrantes holandeses, e suas ruas tem nome de flores.



Era hora do almoço e nós estávamos famintos. Encontramos um bom restaurante, na Rota dos Imigrantes, e comemos à vontade por 11 reais!

Bikes estacionadas na frente do restaurante
Depois do almoço, paramos para a digestão na beira de um lago, chamado "Nossa Prainha".


Seguindo em frente, passando pela Praça dos Cravos, pela Praça das Rosas, alcançamos a Rua das Dalias, plana e com bastante sombra.

Procurando a saída para Posse

Rua das Dalias


Com muita facilidade chegamos na Rodovia Ademar de Barros, cruzamos e continuamos a seguir o estradão, tranquilo e com pouca subida. A terra neste lugar é vermelha e um treminhão passou por nós levantando muita poeira! Entramos carreador de cana adentro para fugir dela!


O estradão terminou numa usina, na beira da SP 107, a poucos quilometros de Santo Antonio de Posse.




Quando chegamos na cidade, o sol estava quase todo no poente.


Ainda bem que levamos material de camping!
Em Posse não tem camping, nem pousada, nem hotel. 
Por sorte, paramos num posto de combustível e o gerente ofereceu-nos o banheiro para o banho e conseguiu que nós pudéssemos acampar no posto da guarda municipal. Se não fosse isso, seria muito ruim ter que dormir numa praça, sei lá, sem poder tomar banho...
É esquisito não ter um único hotel na cidade de Santo Antonio de Posse...

Sem sinal de cansaço, fechamos este dia com 65,36km.

Passamos bem a noite, acampados na sede da guarda, e saímos para o café da manhã por volta das oito horas.

Posto da guarda, onde acampamos
O dia amanheceu muito bonito e foi fácil encontrar a saída para Serra Negra.
Logo no inicio da estrada de terra, demos de cara com um monte de vacas soltas...


A estrada continua muito boa e sombreada, mas num certo trecho seguimos a estrada errada, e tivemos que voltar cerca de três quilômetros.


Na verdade, a gente deveria ter entrado na estrada da Fazenda São José / Fazenda Palmital.

A direção certa!
A centenária Fazenda São José foi nossa passagem: um lago, e a  mata nativa contrastando com céu de um azul espetacular.



Em direção à outra fazenda centenária, a Palmital, encontramos um laranjal carregado. Pegamos muitas delas para nosso deleite logo mais.

Eram onze e meia da manhã quando chegamos na sede da fazenda, depois de uma descida linda, cheia de árvores enormes.


Esta fazenda fica no município de Amparo.


Agora está praticamente desativada mas ainda pode-se observar um grande terreiro de café e muitas máquinas agrícolas abandonadas.


O caseiro foi muito simpático e permitiu que  pudéssemos descansar por ali e fazer nosso pic-nic. Escolhemos, então, a sombra de um celeiro meio abandonado.


Soprava uma brisa suave e sons de vários pássaros chegaram até nós.
Alí perto, um grande lago rodeado de centenários jequitibás dentro da mata preservada.


Encontramos um grupo de ciclistas de Serra Negra que haviam ido até Holambra, caminho inverso do nosso.
Eles nos deram algumas informações acerca do nosso roteiro, dizendo que entraríamos na Rota de Queijo e Vinho.


Na saída da fazenda, passamos entre os jequitibás magnificos...


Estas árvores me emocionam, erguendo-se acima das outras...




A partir deste ponto começamos a enfrentar algumas subidas e descidas fortes - pelo menos três.




A estrada de terra terminou numa outra rodovia, a SP 352...


... e, imediatamente do outro lado, observamos a placa indicando que Serra Negra estava a 12 quilômetros.




Os bikers que encontramos na Palmital sugeriram uma parada no Sitio Bom  Retiro, para degustação de vinhos e cachaças.

Um brinde!
Fomos muito bem recebidos pela família do Rafael Carra e ficamos um tempo por ali, trocando idéias e experimentando, experimentando... :)
http://www.familiacarra.com.br/


Continuamos rumo à Serra Negra, agora perto, apenas oito quilômetros...


Encontramos uma estação de trem. Mas, cadê os trilhos? Porquê uma estação de trem na beira da rodovia?


Depois fui pesquisar e descobri que a rodovia era uma ferrovia, que virou a SP 105.

Na parada para as fotos, o Paulinho vê o pneu furado pela terceira vez.

Trocando o pneu
Então aproveitamos para diminuir o peso dos alforges comendo as últimas laranjas lá da Palmital.
São cinco e vinte da tarde.

Pneu pronto, eu e Denise saímos na frente, agora já perto do nosso destino, e esperamos pelos outros na entrada da cidade.

Quando chegamos no centro da cidade a noite havia caído. Passamos na rodoviária para comprar as passagens do retorno.



E saímos na captura de algum lugar para dormir. Tivemos uma indicação de pousada boa e barata e fomos pra lá, cansados e loucos para um banho. 
Sem contar o friozinho que chegava, enquanto o suor gelava no corpo.

Por incrível que pareça, sendo Serra Negra uma cidade turística, ninguém nos atendeu na Pousada da Fonte.
http://www.pousadadafonte.com.br/


Deviam ser vinte horas quando começamos a procurar algum hotel para quatro bikers sem grana e encontramos: hotel bom, barato e ainda por cima, amigo dos ciclistas. Trata-se do Hotel Montana. 



O pessoal nos ajudou com as bikes e ainda tivemos um café da manhã excelente no dia seguinte.

Neste dia pedalamos 42, 87Km em quatro horas.

O dia seguinte era uma segunda-feira e nós fomos cedo para a rodoviaria. A Denise embarcaria pra São Paulo e nós via Campinas / Americana.


Quando o ônibus da Empresa Fênix chegou e a Denise foi embarcar a bicicleta, o motorista disse que só embarcaria a bike em caixa de papelão e com a nota fiscal. Não adiantou argumentar com o motorista, envolvemos até a polícia, mas não teve jeito, o bus foi embora e a Denise ficou.
Definitivamente, a Empresa Fênix não é amiga dos ciclistas e já está fazendo parte da lista negra do Clube de Cicloturismo do Brasil.

Discussão na hora do embarque da bicicleta
Foi tenso!

Só para ter uma idéia de como faz falta uma Lei específica para transporte de bicicleta em ônibus, quando chegou o nosso ônibus, da Empresa Metrópolis, não houve qualquer empecilho: o motorista simplesmente abriu o bagageiro e nós embarcamos nossas bikes!

Cicloturistas, vamos nos unir e lutar por uma Lei que nos permita viajar de bicicleta sem perrengues!


Lei válida apenas para transporte intermunicipal e transporte interestadual.


Decreto nº 2521/1998, de 20/03/1998, seção VII, artigo 70:
SEÇÃO VII
Da Bagagem e das Encomendas
Art. 70 - O preço da passagem abrange, a título de franquia, o transporte obrigatório e gratuito de bagagem no bagageiro e volume no porta-embrulhos, observados os seguintes limites máximos de peso e dimensão:
I - no bagageiro, trinta quilos de peso total e volume máximo de trezentos decímetros cúbicos, limitada a maior dimensão de qualquer volume a um metro;
II - no porta-embrulhos, cinco quilos de peso total, com dimensões que se adaptem ao porta-embrulhos, desde que não sejam comprometidos o conforto, a segurança e a higiene dos passageiros.
Parágrafo único: Excedida a franquia fixada nos incisos I e II deste artigo, o passageiro pagará até meio por cento do preço da passagem correspondente ao serviço convencional pelo transporte de cada quilograma de excesso.
ConclusãoDepois de retirada a roda da frente, a bicicleta possui em média 80 cm de altura, e, dobrando o guidon, ela terá 35 cm de largura, obedecendo ao limite de volume. Quanto ao peso: em média 10 a 15 kg (dependendo da quantidade de acessórios), também obedecendo ao limite de peso. Portanto, nessas condições a bicicleta se enquadra nas normas para transporte em ônibus. Recomendo que você imprima este artigo e leve com você no embarque, pois infelizmente fiscais e motoristas desconhecem esta lei.
Resumo do Manual do Condutor (para bicicletas)
(Novo Código de Trânsito Brasileiro – Lei nº 9.503, de 23/09/1997)
http://www.c4f.com.br





São os Caminhos Em Duas Rodas









terça-feira, 19 de julho de 2011

CICLOTURISMO RUMO ÀS CUESTAS

O que é Cuesta?
 
Planalto ligeiramente inclinado, constituído por apenas duas superfícies: uma encosta abrupta e outra mais suave.




Aqui na região, começamos a ter visual das cuestas a partir de Ipeúna ou São Pedro. E elas estendem-se na direção de Brotas, Botucatu...

O caminho já havia sido trilhado antes, mas estamos sempre procurando novas passagens.

Convidei o Ricardo e o Paulinho, pedaleiros apaixonados. E, desta vez, tivemos a companhia da Luciana, namorada do Paulinho e da Denise, que viria de São Paulo para trilhar os caminhos caipiras.

Ricardo é aquele tipo de cicloturista que não tem pressa, que gosta de camping selvagem, que gosta de pescar no caminho sempre que pode, e que possui bom humor e alto astral.





Paulinho é cicloturista experimentado, já veio do Pará até Americana pedalando, viagem que lhe trouxe muito conhecimento e segurança. Além disso é muito habilidoso e possui um bom senso de navegação.



Luciana, natural do Estado do Mato Grosso, dizia pedalar muito por lá e isso fez o Paulinho se apaixonar por ela. Com o seu incentivo, ela estava realizando sua primeira cicloviagem.

Denise, ciclista urbana experiente, cicloativista cheia de energia, trabalha como bike-repórter e bike-courrier em São Paulo. Ela, entretanto, não havia feito nenhuma cicloviagem de mais de um dia, apesar de estar sempre dentro de atividades ciclísticas.



Seriam três dias de pedalada e eu havia organizado um roteiro que iniciaria em Americana, percorrendo as cidades de Santa Bárbara D'Oeste, Iracemápolis, o distrito de Tanquinho em Piracicaba, atravessaríamos o Rio Corumbataí, o Rio Passa-Cinco até chegarmos no local do pernoite, num pedal de mais ou menos 70km no primeiro dia.

No dia seguinte seguiríamos em direção à Ipeúna, procuraríamos a estrada para a localidade de Itaqueri da Serra, onde dormiríamos, num pedal de aproximadamente 50km.

No terceiro dia seguiríamos em direção à cidade de São Pedro, onde pegaríamos o ônibus de volta para Americana, num pedal de menos de 30km.

Tudo combinado, fui buscar a Denise na rodoviária de Americana. Um frio! E lá fiquei eu das 20:40 horas até 23:00 horas esperando. E nada da Denise. E olha que a rodoviária não é grande!

Voltei pra casa preocupada e pensei que ela tivesse desistido.

Acordei na madrugada, quatro e meia da manhã, um frio de rachar e comecei a me preparar. Toca o telefone e é a Denise, dizendo que ficou me esperando na rodoviária e resolveu dormir num hotel ali perto. Que bom que ela veio, pensei.

Nos encontramos e subimos para a casa do Paulinho. Da minha casa até a casa dele é só subida, o que deu pra suar, só que chegamos lá e eles não estavam prontos ainda. Aí o corpo esfriou o suor e o frio aumentou.

Cadê o Ricardo? Bom, vamos passar na casa dele...

A essa hora, a neblina estava intensa.

Esperamos cerca de meia hora até o Ricardo ficar pronto. O sereno da manhã molhava nossas roupas.

Tudo pronto, tudo certo, lá fomos nós por um caminho muito bonito, com subidas e descidas, o que nos aqueceu. 




Poucos quilômetros havíamos pedalado quando o Ricardo e o Paulinho resolveram fazer uma primeira parada, sobre a ponte do Rio Piracicaba. Nesta parada nós esfriamos o corpo novamente e nada do sol surgir por entre o nevoeiro.






Tudo certo, tudo em cima, lá vamos nós, subindo em direção à cidade de Iracemápolis. Nossa intenção era fugir do asfalto pois a estrada não tem acostamento. Encontramos um restaurante na beira da rodovia e paramos para um café quente.

Apesar de sairmos de casa às cinco da manhã, chegamos neste local às oito e cinquenta!



Eu e a Denise, que estávamos na frente, subimos no nosso ritmo e, quando olhamos para trás, cadê os outros? Vamos esperar. E na espera, novamente o suor esfria no corpo. Cadê o sol?

Encontramos uma entrada por entre a plantação de cana e lá fomos nós, deixando o Paulinho nos guiar pelo seu GPS interno. 

Terra vermelha, muita poeira, as bikes sujas pois tinham sido molhadas pela neblina...



Usinas desativadas e suas chaminés perdidas no mar de cana...






Poucos quilômetros percorridos e resolve-se mais uma parada.




Mas o caminho estava certo, estava bom. 

Então encontramos a rodovia Limeira-Piracicaba. Atravessamos e atingimos uma outra plantação de cana. Seguimos por ali, subindo e descendo.




Por volta das 11 da manhã, o Paulinho queria parar o pedal, dizendo que o sol estava forte, que a radiação estava forte. Foi quando eu notei que ele estava com esta sensibilidade porque não tinha boné ou chapéu, ou capacete, ou óculos de sol. Nem ele, nem a Luciana...

Proteger a pele com filtro solar, usar óculos de sol  e capacete / boné numa cicloviagem é indispensável, bem como o uso de roupas claras. 


Atravessamos a rodovia Rio Claro - Piracicaba, passamos pelo bairro Vila Nova, onde o único bar estava fechado, provavelmente por causa do feriado. Ficamos um tempinho nos bancos em frente à Igreja do lugar.



Nossa próxima parada foi num pequeno vilarejo, ao meio dia e meio, com quase 44 km de pedal.

Pés descalços, rede armada, boa conversa e alguma comida.




Seguimos em frente, com água fresca e alguma sombra.






Os canaviais são intermináveis!

Em plena colheita, muitos caminhões, treminhões, tratores, poeira e um horizonte a perder de vista.

Eu e a Denise, pedalando por aqueles estradas largas, longas, quando demos conta, cadê o pessoal?

Nenhuma sombra. Aliás, a sombra de um treminhão com o pneu furado. Dois funcionários da usina nos saúdam e nos oferecem água fresca. 




Ficamos esperando os outros três chegarem, mas ninguém no horizonte. O que será que aconteceu? Só nos resta esperar. E esperamos!

E eis que surgem os ciclistas, numa boa...




Quando vi a placa da Serra da Pitanga, me localizei, e estimei que faltavam ainda uns bons 10km para chegar no local do pernoite.

A descida da serra foi rápida e a paisagem não estava tão exuberante quanto a encontrada no verão. 

Paramos na ponte sobre o Rio Corumbataí para esperar o Paulinho e a Luciana e a nossa sombra já estava longa.






Subida tranquila, bairro Sitinho, ponte sobre o Rio Passa-Cinco e, por volta das cinco e meia da tarde chegamos no pesqueiro onde iríamos acampar.






Família simpática nos acolheu e pudemos tomar banho e usar a cozinha para preparar nossa refeição.

Fechamos este primeiro dia com 72,15km num tempo de 6 horas.

Meu material de camping no cicloturismo:
- Barraca pequena e leve 
- Saco de dormir
- Travesseiro inflável
- Edredon pequeno (para maior conforto)
- Isolante térmico de 6mm
- Lanterna

Já dormi muito mal depois de um dia inteiro de pedal e não tem nada pior. 
O travesseiro inflável, que não ocupa espaço no alforge, e o isolante térmico, resolveram todos os meus problemas.
Hoje em dia sinto muito mais conforto na barraca e, se tiver que passar vários dias acampada não me preocupo.

Fez frio à noite, ainda mais que estávamos ao lado do rio, mas eu fiquei muito confortável. Já o pessoal reclamou da noite mal-dormida.

Com certeza, a sensação de frio que eles sentiram foi por causa da falta do isolante térmico, pois o frio vêm do chão.

Outra coisa que nos acordou durante a noite foi o galo cantando desde a madrugada! rsrsrs...

O dia amanheceu azul, sem neblina, com menos frio do que ontem.

A Dona Sonia nos preparou um café animador para a pedalada que viria a seguir.

Descemos até a prainha do Rio Passa-Cinco...




Por volta das 09:30 horas saímos em direção à pequena serra de Ipeúna.






Depois da subida da serra o terreno fica plano. Eu e a Denise aproveitamos para nos conhecer melhor pessoalmente, pois nossa amizade era apenas virtual. 
E, conversando, pedalamos em direção à cidade de Ipeúna. Mas a Luciana, o Paulinho e o Ricardo não estavam por perto. 

Paramos, nós duas, na sombra de uma árvore para esperar por eles. 




Esperamos um tempão e resolvemos, então, seguir até a cidade e esperá-los por lá.

Quase na entrada da cidade o Ricardo nos alcança. 




Praticamente onze da manhã, melhor almoçar para seguir em frente.

Ao lado da praça central encontramos um bom restaurante. Energias refeitas, 11km de pedal apenas, combinamos de fazer um pequeno descanso.







O descanso do almoço estendeu-se até as 14:30 horas!
Não entendi o por quê de uma parada tão longa, mas por outro lado não queria ficar resmungando como uma chata, afinal era feriado.
A questão é que quando estamos sobre duas rodas, temos que considerar imprevistos e atrasos no percurso, sem contar que a Luciana não estava acostumada a pedalar longas distâncias. 
Minha experiência no cicloturismo diz que é sempre melhor chegar cedo do que tarde no destino.

Como disse no início, o planejamento incluía o caminho para Itaqueri da Serra e, se todos estivessem mais determinados a pedalar mais e descansar menos, tudo ocorreria com a luz do dia.

Acontece que fui pedir informação para um morador e ele confundiu um pouco minha cabeça e, quando chegamos na bifurcação do caminho, já não tinha certeza se aquele era o certo.

O impasse fez com que continuássemos a estrada rumo à cidade de Itirapina.

Estrada em subida, poeirenta e movimentada, sem placas indicativas...






Outra bifurcação, outra dúvida, resolvemos por um dos caminhos. 
Num certo ponto, uma descida longa, eu, na dúvida, paro um carro para pedir informação e o Ricardo passa a toda, descendo. Acontece que o caminho estava errado. Este erro, com a espera para o Ricardo subir tudo de volta, nos custou cerca de uma hora parados.

O relógio marcava 16:30 horas e nós bem longe de Itirapina.

Comecei a ficar preocupada pois sabia das dificuldades da estrada: muita subida e muita, muita areia. E eu sem farol na bike, tinha apenas uma lanterna de mão e a Denise nem isso.

Preocupação também com a demora do Paulinho e da Luciana em nos alcançar. Não é legal deixar os amigos para traz, o legal é ficar todo mundo no visual, mas a demora estava demais!


Três vezes a gente passa por baixo da linha do trem...


Quando o sol começou a se por, havia ainda muitos quilômetros pela frente...




Escuridão quase total, paramos eu, Denise e Ricardo para esperar pelos dois, mas por mais devagar que a gente pedalasse, eles não chegavam.

O Ricardo conseguiu prender sua lanterna no guidão da bicicleta e eu achei melhor ir com o meu na mão mesmo, assim dividiria a luz com a Denise.

Impossível pedalar na areia com escuridão! Sem condições mesmo. O Ricardo sumiu na nossa frente.

Assim, eu e a De, empurramos a bike por mais de oito quilômetros. Em compensação, o céu estava maravilhoso, salpicado de estrelas.
Foi muito pesado este trecho. Não recomendo.

Quando chegamos no asfalto da cidade, o Ricardo já nos aguardava. Combinamos de ir para o camping, enquanto ele esperava os dois.

Chegamos no camping  http://www.paraisoaguas.com.br  às nove da noite com muito frio, muita fome e muito cansaço.




Encerramos este dia com 51,50km num tempo de 6 horas.
Eu diria que estes 50km equivaleram a 100km tamanha a dificuldade no areião!

Este camping  "paraíso das águas", em Itirapina. além de camping tem chalés e pousada. É  espaçoso e arborizado, com gramados e várias piscinas.


O camping custa R$ 20,00 sem café da manhã e R$ 25,00 com café. 
O chalé sai por R$ 35,00 com café e R$ 30,00 sem café. 
Eu achei caro, comparado com outros lugares muito mais bonitos em que estive.
Na situação em que chegamos, no entanto, nem discutimos preço com o velho senhor da portaria, pedimos logo um quarto.
Apesar de ser um sábado de um final de semana prolongado, neste horário havia apenas o porteiro na guarita, que nos atendeu de forma confusa, mostrando falta de preparo. Valeria a pena treinamento e reciclagem para os funcionários.

O banho quente e relaxante foi excelente!





E tem mais, neste camping, numa pequena ilha - pequena mesmo - mora um macaco solitário. Aquilo cortou nosso coração!




No dia seguinte, pensei que iríamos pedalar mais, pelo menos até a Represa do Broa, mas o pessoal não topou.

Mesmo assim, pegamos as bikes e fomos dar um giro pelo horto florestal: lugar muito bonito, com um single-track gostoso.








Depois do giro pelo horto, passamos na rodoviária para comprar as passagens e fomos almoçar. 


Antes, um brinde.




Total de quilômetros: 146,00


Nesta cicloviagem descobri que é o inesperado que faz de uma viagem uma aventura.


Nesta cicloviagem aprendi algumas coisas:


Fazer um planejamento sério é muito importante;
Saber da capacidade física de cada participante é muito importante;
Ter liderança e determinação quanto ao roteiro é muito importante;
Manter um bom ritmo de pedal é muito importante;
Saber relaxar para aproveitar a paisagem e a companhia é muito importante.
E o mais importante...  TUDO VALE A PENA SE A ALMA NÃO É PEQUENA!




*Cicloturismo realizado entre os dias 23 e 25 de junho de 2011.